quinta-feira, 10 de agosto de 2017
O começo das dores e aborrecimentos no Telemarketing
Ouça a versão áudio abaixo:
Saudações jovens leitores continuando de onde parei no post anterior, fiquei muito feliz ao conseguir meu primeiro emprego de Telemarketing(Call Center, telemarketing é um termo meio pejorativo, mas é o que a maioria das pessoas conhecem, já que necessariamente meu relato não se trata de vendas de qualquer produto), achei que ia finalmente conseguiria ajudar minha família a pagar as contas de luz, água, comprar comida e garantir aquilo que eles dizem ser direito do trabalhador que está nas primeiras páginas da carteira de trabalho "Todo homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho", mas como estava enganado tirando os descontos e impostos, mal sobrava uns R$300, o que ia fazer com isso "pagar uma faculdade?", sem chance, além de ficar preso a uma profissão que não sei se minha sanidade ia suportar, não poderia ingressar em uma faculdade razoável, ou seja já comecei mal manchando minha carteira de trabalho e minado sem muitas expectativas de futuro.
Vou preservar nomes das empresas por onde passei, simplesmente para evitar qualquer aborrecimento legal, mas vou deixar pistas assim vocês saberão identificar de qual empresa estou me referindo, essa em questão de onde comecei é uma das maiores do Brasil, fica situada no Conjunto Nacional, no começo da Avenida Paulista, segundo andar, mais pistas que essa fica impossível. Bom, continuando comecei nessa determinada empresa com o cargo de Agente de Cobrança, o período de treinamento era de 1 semana e eles não iriam pagar o vale-transporte que tive que arcar do meu próprio bolso(dinheiro emprestado); nos levaram para uma salinha de aula e ouvimos uma pessoa que dizia ter anos de profissão em Treinamento em RH, falar da profissão como se fosse mil maravilhas e flores, nos deram umas apostilas cheias de floreios e muita conversa fiada, somente próximo do final do treinamento nos deram os Scripts de atendimento, a esse altura estava achando que não era Call Center que íamos trabalhar e sim de Telefonista em uma grande multinacional com nosso próprio espaço de trabalho, quer dizer, muita enrolação, aquela pessoa que dava o treinamento não tinha o mínimo de conhecimento da rotina de trabalho do cargo que ela estava instruindo, é isso que faltam em muitas empresas, desde as pequenas até as grandes "comunicação entre os departamentos", ao chegar na famosa PA, posto de atendimento para os não íntimos, tivemos que aprender as regras todas de novo, é claro que eles não nos colocaram direto para atender as ligações, isso seria suicídio, tiro no pé, nos colocaram com outro operador para ficar na escuta com "carrapato", ai tínhamos que prestar atenção na maneira como ele operava o sistema e articulava falando no Headset, para posteriormente nos adaptarmos e fazermos algo semelhante, a primeira vez que atendi a ligação, foi apenas um recado, mas foi o suficiente para a adrenalina subir a 100%, quer dizer, em casa você costuma atender muitas ligações sem nenhum problema, então porque o nervosismo, bom, isso tem uma explicação, você está falando com uma pessoa que você não sabe quem é e nem pelo que está passando na vida e liga para sua casa para fazer uma cobrança de um serviço que ela sabe que tem que pagar e você não sabe os motivos que a levaram a não pagar, você tem que manter a cordialidade e dizer para aquela pessoa que o melhor que ela tem que fazer é pagar a dívida para evitar aborrecimentos, bom voltando, após o treinamento com o carrapato em uma semana a pessoa já está apta para exercer a função, aparentemente porque tem muitas coisas do sistema e a maneira como registramos no sistema as coisas que leva muito tempo para ficar da maneira como o setor de "qualidade" deseja, alias todas nossas ligações são gravadas, então não temos o direito de sair dizendo tudo que quisermos para o cliente, quem dera se fosse assim a pessoa teria que ouvir umas poucas e boas, exceto coisas de baixo calão porque isso é totalmente anti-profissional. Nessa empresa em questão nós trabalhávamos por taxa conversão não importava se cobrássemos 200 ou 300 clientes por dia, o que importava eram os resultados, quantos clientes cobrávamos e quantos realmente iam pagar suas dívidas, outra pista para meus caros leitores a cobrança era da fatura cartão de crédito, então muitas vezes dizíamos para os clientes irem pagar o valor mínimo da fatura com a velha desculpa de tirar o nome do SPC/Serasa e evitar que os juros se prolongassem, isso para os que estavam devendo a mais de 31 dias, mas como muitos devem saber essa é a maior armadilha das empresas de cartão de crédito, o famoso refinanciamento, já que você está apenas pagando os juros e prolongando a dívida para o mês seguinte, de um lado existia nós os operadores seres de pouca inteligência apenas programados para exercer a função e do outro a vítima, a pessoa endividada que era obrigada a nos ouvir, nesse intervalo de tempo entre as muitas ligações tínhamos o direito de tirar uma pausa de 15 minutos para comer um lanche rápido, digo engolir a refeição como se fossemos animais ávidos por um alimento, o microondas era utilizado no refeitório para tal fim, porém muitas vezes não era isso que acontecia porque muitos o utilizavam não para esquentar os lanches, mas sim as famosas marmitex, "as quentinhas", o que fazia com que ficasse uma fila imensa, então nessa hora era usar a estratégia porque 15 minutos passavam rápido e se você se atrasasse eles descontavam do seu salário então pegar um lanche frio aqueles que não precisa esquentar e com o que sobrava de ponto das máquinas de lanche conseguir pegar um suquinho de caixinha, ah alias, não pense que o vale lanche era muita coisa, era no máximo uns 5 ou 6 reais, então não espere poder repetir o lanche até porque o tempo também não dava, engolir o lanche em seco e voltar para atender uma fila de clientes que o sistema mandava, eram muitos clientes vocês não tem ideia, era como se fosse uma meltralhadora, terminava de falar com um e já vinham uns 100 atrás se se você se atrasasse logo seu supervisor estava na sua mesa para entender o que estava acontecendo com você e porque você estava segurando aquela ligação por tanto tempo, bom, para não prolongar esse post no próximo capítulo dessa série falarei dos supervisores, da qualidade, monitoria e dos intermináveis aborrecimentos que os "peões" do telemarketing tem que passar.
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