domingo, 27 de agosto de 2017
Síndrome do pânico e demissão do Telemarketing
Olá continuando do anterior estava começando a me sentir perseguido dentro da empresa de telemarketing tanto que comecei a sofrer de sérias crises de ansiedade, medo repentino de alguém querer me matar ou de sofrer algum acidente grave, às vezes nem queria entrar dentro da empresa com medo que alguém viesse me agredir, meus colegas de trabalho começaram a estranhar meu comportamento, me diziam que não estava normal, porém não ligava, as dores de ouvido não cessaram e como sempre tinha que apelar para as pausas para poder ir controlando a dor, as ameaças continuavam, mas chegou um momento que percebi que eles não podiam me mandar embora da empresa sem uma boa justificativa, meu desempenho de produtividade caiu demais, às vezes nem falava mais a saudação de atendimento para os clientes e minhas notas de monitoria caíram drasticamente, consequentemente perdendo a comissão, a essa altura do campeonato já não ligava só queria ser mandado embora. Meus superiores me tratavam mal não olhavam nem na minha cara, certo dia na pausa lanche estava comendo uma baguete quando senti uma forte dor de dente, minha cara ficou toda inchada e tive que ir no dentista para ver o que era, o dente estava em péssimo estado e não poderia fazer uma obturação, a dentista me receitou que tomasse um antibiótico chamado Amoxicilina até que o meu rosto desinchasse para fazer a extração, obviamente que não poderia ir trabalhar com a cara daquele tamanho, então como sempre tive que entrar a questão do atestado médico, que a princípio a dentista quis recusar, mas estava pagando a consulta então ela era obrigada a me dar o atestado médico, fiquei mais um dia em casa, no outro dia me chamaram para a sala de reunião estava o Superior do Supervisor junto com ele, como sempre havia aquela velha pressão psicológica para tentar me intimidar, porém não cedi resisti até o fim, tinha passado a fase do operador de telemarketing bonzinho que abaixa a cabeça e aceita tudo, agora estávamos diante de uma guerra fria, enquanto eles questionavam a quantidade de atestados médicos que deixava e as advertências que tinha tomado fazia uma cara inexpressiva de jogador de poker, ou seja, uma cara que não dizia nada, só às vezes balançava com a cabeça para dizer "sim" ou "não" quando era questionado, a reunião terminou e como sempre meu supervisor estava puto comigo, evitei qualquer tipo de discussão e voltei para minha "P A", tentando fingir que continuava a fazer um bom trabalho. Dias após o uso da Amoxicilina, pensei em extrair o dente para poder faltar mais um dia, mas resolvi deixar para um momento mais oportuno, no meu calendário faltava apenas duas semanas para completar os 6 meses de empresa, trabalhei normalmente evitando cometer erros críticos, faltando um dia para os 6 meses, fui no dentista fazer a extração do dente, no outro dia deixei o atestado na mesa do supervisor, ele nem olhou na minha cara, fui para a "P A" e continuei trabalhando normalmente, no outro dia de trabalho, meu supervisor disse para eu passar no RH, pois a empresa estava me mandando embora, é claro evidentemente com todos meus direitos trabalhistas, pelo menos não manchei minha carteira de trabalho e não sai queimado da empresa, o lado negativo é que minha mente estava perturbada, tinha dores de ouvido e como falarei posteriormente, uma vez que você registra na sua carteira de trabalho Telemarketing, você só vai achar emprego de telemarketing, ninguém vai te levar a sério até que você tenha um diploma de curso superior em alguma faculdade, isso acabei descobrindo mais tarde da pior maneira.
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Ameaças, Coação e Pressão Psicológica no Telemarketing
Saudações caros leitores assíduos do blog continuando... estava ficando cada vez mais insuportável viver naquela situação, porém estava preso ao velho dilema da carteira de trabalho suja e precisava de pelo menos 6 meses de empresa, como muitos devem saber 6 meses de empresa não é tão bem visto pelas empresas, o ideal é 1 ano pra cima, mesmo sendo pouco precisava aguentar 6 meses naquele lugar que cheirava a naftalina. Além das dores de estômago frequentes comecei a ouvir zumbidos no ouvido direito que ficavam cada vez mais altos, ao passar dos dias atendendo as ligações comecei a sentir umas pontadas no ouvido direito que não estava aguentando, nesse dia tive que usar o fone do Headset somente no ouvido esquerdo. Chegando em casa a minha mãe disse para esquentar um pano com o ferro de passar roupa e passar no ouvido, ai foi que a dor ficou mais forte, cara nunca tinha sentido tanta dor na vida, tive que passar no Clínico Geral do SUS, lá fui encaminhado para um otorrinolaringologista, no dia da consulta foi constatado que estava sofrendo perca de audição, quando o médico falou isso eu quase entrei em pânico, vou ficar surdo do ouvido direito!
Chegando na empresa um dia após a consulta joguei mais um atestado na mesa do supervisor, que me olhou com uma cara de desprezo, como se eu fosse algum bicho asqueroso, tá isso foi o de menos, aí que começou as complicações, como não podia usar muito o ouvido direito, comecei a usar somente o ouvido esquerdo, porém chegava uma hora que o ouvido não aguentava e tinha que voltar para o direito, as dores de ouvido voltavam tanto que tive que ir algumas vezes no ambulatório pra ver se eles me davam alguma medicação, nessas idas e vindas meu supervisor estava muito irritado comigo, tanto que me levou pra sala de reunião, a famosa sala de feedback, ou melhor "feedcrau" e começou a me questionar do meu comportamento o porquê de tantos atestados e pausas ambulatório, disse que isso estava prejudicando o resultado da equipe e que os números na planilha vinham caindo significativamente, expliquei que minha saúde não estava nas melhores condições e que as consultas médicas realmente eram necessárias, porém o supervisor sempre desviava o foco da conversa para os números, veja pausas ambulatório, "pausa outras", era sempre o mesmo argumento, ele ia me colocando cada vez mais contra a parede com insinuações de ameaças e coação, disse que se continuasse com aquele comportamento poderia ser demitido por justa causa e sem direitos e que não ia arrumar emprego em outro lugar, foi aí que não aguentei e acabei soltando "vai a merda seu babaca!", pra quê fiz isso, ele ficou calado saiu da sala e continuei lá, foi quando ele voltou e me mostrou um papel escrito "suspensão", pensei, ótimo vão descontar do meu salário e ainda vou perder a comissão, trabalhei um mês inteiro de graça pra esses fascistas sanguinários. Após a suspensão de 1 dia de trabalho, foi como se meu corpo se arrastasse para a empresa, mas minha alma não quisesse acompanhá-lo, estava atendendo as ligações muito desanimado, numa dessas o supervisor estava ouvindo as ligações, ele tinha esse recurso com o software que os supervisores usam, me chamou para a mesa e disse para ouvir a ligação, nessa ligação eu tinha dito para o cliente "não tem problema senhora se não puder pagar eu ligo em outra oportunidade", essa conduta passiva nas ligações era cabível de punição, ele não perdeu a chance e me deu mais uma advertência, o número de advertência alegando má conduta do funcionário, nesse dia na hora da pausa lanche nem comi nada, fui no banheiro e comecei a chorar, "Deus por que está fazendo isso comigo não tô aguentando mais me tira daqui", sabe aquele momento que você esgota e só quer sumir era isso que estava acontecendo. Dias se passaram e estava sofrendo de crises nervosas, não podia sair dali precisava chegar aos 6 meses, precisava cumprir essa missão, me sentia angustiado, alguns supervisores me olhavam torto, cara não sou um criminoso e nem um monstro, muito pelo contrário os vampiros aqui são vocês sugando nosso sangue, nos espremendo como laranjas, tirando o máximo que podiam até nossa dignidade forçando a aceitar aquela situação ou pedir as contas, estava preso em uma situação "pede as contas" ou "aguenta até eles verem que você não está dando mais lucro para empresa e só prejuízo e te mandem embora", pesquisando na internet vi que era necessário mais de 1 ano de empresa para receber o seguro desemprego, não sei se minha alma ia aguentar até lá pra mim o FGTS só já estava bom, não ia aguentar mais aquele tormento, comecei a sentir como se tivessem me perseguindo eram muitas indiretas e piadinhas, os supervisores passavam próximo da minha "P A" e davam um sorrisinho de deboche, minha mente estava ficando cada vez mais debilitada, tanto que comecei a achar que as pessoas no ônibus e na rua estavam me perseguindo e me ameaçando, para não ficar muito grande deixarei o desfecho para outra postagem. Aguardem...
Chegando na empresa um dia após a consulta joguei mais um atestado na mesa do supervisor, que me olhou com uma cara de desprezo, como se eu fosse algum bicho asqueroso, tá isso foi o de menos, aí que começou as complicações, como não podia usar muito o ouvido direito, comecei a usar somente o ouvido esquerdo, porém chegava uma hora que o ouvido não aguentava e tinha que voltar para o direito, as dores de ouvido voltavam tanto que tive que ir algumas vezes no ambulatório pra ver se eles me davam alguma medicação, nessas idas e vindas meu supervisor estava muito irritado comigo, tanto que me levou pra sala de reunião, a famosa sala de feedback, ou melhor "feedcrau" e começou a me questionar do meu comportamento o porquê de tantos atestados e pausas ambulatório, disse que isso estava prejudicando o resultado da equipe e que os números na planilha vinham caindo significativamente, expliquei que minha saúde não estava nas melhores condições e que as consultas médicas realmente eram necessárias, porém o supervisor sempre desviava o foco da conversa para os números, veja pausas ambulatório, "pausa outras", era sempre o mesmo argumento, ele ia me colocando cada vez mais contra a parede com insinuações de ameaças e coação, disse que se continuasse com aquele comportamento poderia ser demitido por justa causa e sem direitos e que não ia arrumar emprego em outro lugar, foi aí que não aguentei e acabei soltando "vai a merda seu babaca!", pra quê fiz isso, ele ficou calado saiu da sala e continuei lá, foi quando ele voltou e me mostrou um papel escrito "suspensão", pensei, ótimo vão descontar do meu salário e ainda vou perder a comissão, trabalhei um mês inteiro de graça pra esses fascistas sanguinários. Após a suspensão de 1 dia de trabalho, foi como se meu corpo se arrastasse para a empresa, mas minha alma não quisesse acompanhá-lo, estava atendendo as ligações muito desanimado, numa dessas o supervisor estava ouvindo as ligações, ele tinha esse recurso com o software que os supervisores usam, me chamou para a mesa e disse para ouvir a ligação, nessa ligação eu tinha dito para o cliente "não tem problema senhora se não puder pagar eu ligo em outra oportunidade", essa conduta passiva nas ligações era cabível de punição, ele não perdeu a chance e me deu mais uma advertência, o número de advertência alegando má conduta do funcionário, nesse dia na hora da pausa lanche nem comi nada, fui no banheiro e comecei a chorar, "Deus por que está fazendo isso comigo não tô aguentando mais me tira daqui", sabe aquele momento que você esgota e só quer sumir era isso que estava acontecendo. Dias se passaram e estava sofrendo de crises nervosas, não podia sair dali precisava chegar aos 6 meses, precisava cumprir essa missão, me sentia angustiado, alguns supervisores me olhavam torto, cara não sou um criminoso e nem um monstro, muito pelo contrário os vampiros aqui são vocês sugando nosso sangue, nos espremendo como laranjas, tirando o máximo que podiam até nossa dignidade forçando a aceitar aquela situação ou pedir as contas, estava preso em uma situação "pede as contas" ou "aguenta até eles verem que você não está dando mais lucro para empresa e só prejuízo e te mandem embora", pesquisando na internet vi que era necessário mais de 1 ano de empresa para receber o seguro desemprego, não sei se minha alma ia aguentar até lá pra mim o FGTS só já estava bom, não ia aguentar mais aquele tormento, comecei a sentir como se tivessem me perseguindo eram muitas indiretas e piadinhas, os supervisores passavam próximo da minha "P A" e davam um sorrisinho de deboche, minha mente estava ficando cada vez mais debilitada, tanto que comecei a achar que as pessoas no ônibus e na rua estavam me perseguindo e me ameaçando, para não ficar muito grande deixarei o desfecho para outra postagem. Aguardem...
sábado, 12 de agosto de 2017
Atestados médicos, pausas e sistema
Saudações caros leitores do blog, continuando de onde parei tinha ficado muito nervoso por receber uma advertência e perdido a comissão do mês tanto que comecei a estourar as pausas, comecei também a ter sérios problemas de dor de estômago por comer aqueles lanches das máquinas de origem meio duvidosa, tanto que fui parar no ambulatório e como sempre eles nem me examinaram e me deram um comprimido de paracetamol para passar a dor, fiquei meio grogue e tive que voltar para a "P-A" para continuar cobrando os clientes, foi quando me veio um mal súbito tive que por uma pausa banheiro e correr, sim tive uma forte diarreia, fiquei quase 40 minutos no banheiro despejando aquilo que tinha comido aquele lanche cheio de alface e maionese, ao voltar para ver se conseguia continuar cobrando, o supervisor me chamou na mesa para perguntar o que estava acontecendo disse que a comida não tinha me batido bem e tive que ir no banheiro, falou que da próxima vez usasse um pausa diferente já que a pausa banheiro era de apenas 5 minutos e isso ia parar no relatório da equipe, é... como sempre ele estava apenas preocupado com o relatório que tinha que passar a gerencia, e não com a integridade de seus subalternos. Dias se passaram e meu intestino não estava bom tanto que tive que ir no médico do SUS, lá tive que tomar soro e nesse tempo não consegui pegar um atestado de horas, tive que pegar o atestado do dia, tentei ligar para a mesa do meu supervisor porém só dava ocupado e quando consegui falar quem atendeu foi o backoffice que disse que ele estava em uma reunião, disse se poderia avisar para ele que Fulano de Tal tinha ligado e que não estava se sentindo muito bem. No outro dia o supervisor estava na mesa dele com uma cara daquele tamanho, mostrei o atestado médico, claro que antes tinha tirado uma Xerox em caso do atestado ser por algum motivo ser extraviado, ele aceitou o atestado, mas continuava com aquela cara de emburrado, claro porque sabia que o cliente pagava a empresa de Telemarketing por "P-A" logada, então se uma pessoa faltava já era um prejuízo meio grande, para se ter uma ideia cada operador de teleatendimento valia aproximadamente R$8000,00, esse era o valor médio que o cliente pagava para empresa, e eles tinham que mostrar para o cliente resultados em seus slides e planilhas, então uma simples discrepância já era o suficiente para o cliente ficar indeciso e se possível até posteriormente quebrar o contrato com a empresa. Os dias iam passando e o clima estava cada vez mais pesado, já não ia ganhar a comissão inteira por ter deixado o atestado médico e supervisor fazia de conta que eu era um fantasma, acabei descobrindo um dia por acaso "que se você puxasse o fio do telefone detrás da caixinha que fazia as ligações", no sistema do supervisor parecia que você ainda estava trabalhando normalmente, então coloquei no computador a pausa "outras" e puxei o fio do telefone e deixei ele debaixo da caixinha de ligações para ninguém desconfiar e fui tirar uma pausa "almoço", aproveitei que o supervisor estava em reunião com a gerência e tirei mais de 50 minutos de pausa e ainda fique passeando um pouco pelos outros departamentos do prédio, voltei e ninguém nem tinha desconfiado da minha ausência, tanto que coloquei o fio do telefone de volta na caixinha e voltei a trabalhar normalmente como se nada tivesse acontecido. Passando um tempo os passeios pela empresa iam ficando cada vez mais frequentes, porém certe vez acabei cometendo um erro tático e barrei de frente com o supervisor no corredor, então como iria explicar aquilo, obviamente tive que inventar uma mentira dizendo que precisei passar no RH para resolver um problema do meu cartão de lanche, dessa vez ele ficou com o pé meio atrás, mas deixou passar. Comecei a ter mais cuidado. No próximo post falarei sobre as ameaças, coação e pressão psicológica em que quase pedi as contas da empresa.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
Supervisores, Monitoria e Teleatendimento
Saudações olha eu aqui de novo continuando o relato, já estava aprendendo a como fazer o trabalho de maneira correta tanto que no primeiro mês já se impressionaram com meu resultado de conversão de promessas de pagamento do cartão de crédito, estava muito bom, mas com a desculpa que era o primeiro mês não ganhei comissão, isso já me deixou meio com o pé atrás, como assim cadê minha comissão(?), então passado um tempo fui chamado a mesa do supervisor para ouvir alguma ligação minha que a monitoria de qualidade estava avaliando, eles me deram uma nota mediana ai o supervisor disse que eu poderia melhorar em alguns pontos seguindo um pouco mais o script de atendimento, porém não precisa ser um Albert Einstein para perceber que aquele script é pura furada é feito somente para agradar o pessoal da monitoria de qualidade, ou seja, se você for seguir a monitoria a risca você não ganha comissão, ai você tem que ficar um meio termo porque se você tirar uma nota muita baixa na monitoria eles cortam sua comissão, isso mesmo eles cortam sua comissão sem ter o mínimo direito de reclamar e se você começar a discutir com o supervisor é provável que você leve uma suspensão, além de perder a comissão você perde um dia de trabalho e eles descontam do seu salário. No segundo mês ganhei a bendita comissão que não era muito não apenas uns R$100 a mais em um salário que com os descontos não passava de R$300, cara o que eu estou fazendo aqui pensava interiormente, vou pegar apenas alguns meses de experiência apenas para não ter que fazer outra carteira de trabalho. A pior coisa era a maneira como os supervisores tratavam os "peões", era assim que eles chamavam os Operadores de Atendimento e Cobrança quando ninguém estava por perto, você era obrigado a ouvir tudo que ele dizia sem questionar ou caso contrário já vinha uma represália e ameaça de perder a comissão, essa era uma carta forte que eles tinham na manga e usavam sempre que precisavam para ameaçar e coagir o funcionário, o Operador de Teleatendimento fica numa posição meio delicada, não dizem que a corda sempre quebra para o lado mais fraco, então é exatamente isso que acontece com o peão do telemarketing, você não tem direito a nada e se abrir a boca ainda tem punição.
Pulando agora para o quarto mês foi nesse mês que recebi minha primeira advertência, nossa como meu sangue ferveu, já que não ia ganhar mais a comissão naquele mês, fui no sistema e coloquei uma pausa "outras", é uma pausa que você coloca na caixinha que fica do lado do Headset onde você aperta para fazer as ligações manualmente, como se fosse um pequeno telefone, mas sem a parte que você fala, uma coisa que se deve aprender desde cedo no call center é usar as ferramentas ao seu favor, aprenda todos os códigos de pausa e truques do sistema, então continuando estava com tanta raiva que fui no banheiro tranquei a porta e dei um murro tão forte na porta que ela quase arrebentou, maldição, malditos armaram pra mim, foi ai que eu comecei a desleixar e cometer vários deslizes que falarei posteriormente para não prologar muito o post.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
O começo das dores e aborrecimentos no Telemarketing
Ouça a versão áudio abaixo:
Saudações jovens leitores continuando de onde parei no post anterior, fiquei muito feliz ao conseguir meu primeiro emprego de Telemarketing(Call Center, telemarketing é um termo meio pejorativo, mas é o que a maioria das pessoas conhecem, já que necessariamente meu relato não se trata de vendas de qualquer produto), achei que ia finalmente conseguiria ajudar minha família a pagar as contas de luz, água, comprar comida e garantir aquilo que eles dizem ser direito do trabalhador que está nas primeiras páginas da carteira de trabalho "Todo homem, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho", mas como estava enganado tirando os descontos e impostos, mal sobrava uns R$300, o que ia fazer com isso "pagar uma faculdade?", sem chance, além de ficar preso a uma profissão que não sei se minha sanidade ia suportar, não poderia ingressar em uma faculdade razoável, ou seja já comecei mal manchando minha carteira de trabalho e minado sem muitas expectativas de futuro.
Vou preservar nomes das empresas por onde passei, simplesmente para evitar qualquer aborrecimento legal, mas vou deixar pistas assim vocês saberão identificar de qual empresa estou me referindo, essa em questão de onde comecei é uma das maiores do Brasil, fica situada no Conjunto Nacional, no começo da Avenida Paulista, segundo andar, mais pistas que essa fica impossível. Bom, continuando comecei nessa determinada empresa com o cargo de Agente de Cobrança, o período de treinamento era de 1 semana e eles não iriam pagar o vale-transporte que tive que arcar do meu próprio bolso(dinheiro emprestado); nos levaram para uma salinha de aula e ouvimos uma pessoa que dizia ter anos de profissão em Treinamento em RH, falar da profissão como se fosse mil maravilhas e flores, nos deram umas apostilas cheias de floreios e muita conversa fiada, somente próximo do final do treinamento nos deram os Scripts de atendimento, a esse altura estava achando que não era Call Center que íamos trabalhar e sim de Telefonista em uma grande multinacional com nosso próprio espaço de trabalho, quer dizer, muita enrolação, aquela pessoa que dava o treinamento não tinha o mínimo de conhecimento da rotina de trabalho do cargo que ela estava instruindo, é isso que faltam em muitas empresas, desde as pequenas até as grandes "comunicação entre os departamentos", ao chegar na famosa PA, posto de atendimento para os não íntimos, tivemos que aprender as regras todas de novo, é claro que eles não nos colocaram direto para atender as ligações, isso seria suicídio, tiro no pé, nos colocaram com outro operador para ficar na escuta com "carrapato", ai tínhamos que prestar atenção na maneira como ele operava o sistema e articulava falando no Headset, para posteriormente nos adaptarmos e fazermos algo semelhante, a primeira vez que atendi a ligação, foi apenas um recado, mas foi o suficiente para a adrenalina subir a 100%, quer dizer, em casa você costuma atender muitas ligações sem nenhum problema, então porque o nervosismo, bom, isso tem uma explicação, você está falando com uma pessoa que você não sabe quem é e nem pelo que está passando na vida e liga para sua casa para fazer uma cobrança de um serviço que ela sabe que tem que pagar e você não sabe os motivos que a levaram a não pagar, você tem que manter a cordialidade e dizer para aquela pessoa que o melhor que ela tem que fazer é pagar a dívida para evitar aborrecimentos, bom voltando, após o treinamento com o carrapato em uma semana a pessoa já está apta para exercer a função, aparentemente porque tem muitas coisas do sistema e a maneira como registramos no sistema as coisas que leva muito tempo para ficar da maneira como o setor de "qualidade" deseja, alias todas nossas ligações são gravadas, então não temos o direito de sair dizendo tudo que quisermos para o cliente, quem dera se fosse assim a pessoa teria que ouvir umas poucas e boas, exceto coisas de baixo calão porque isso é totalmente anti-profissional. Nessa empresa em questão nós trabalhávamos por taxa conversão não importava se cobrássemos 200 ou 300 clientes por dia, o que importava eram os resultados, quantos clientes cobrávamos e quantos realmente iam pagar suas dívidas, outra pista para meus caros leitores a cobrança era da fatura cartão de crédito, então muitas vezes dizíamos para os clientes irem pagar o valor mínimo da fatura com a velha desculpa de tirar o nome do SPC/Serasa e evitar que os juros se prolongassem, isso para os que estavam devendo a mais de 31 dias, mas como muitos devem saber essa é a maior armadilha das empresas de cartão de crédito, o famoso refinanciamento, já que você está apenas pagando os juros e prolongando a dívida para o mês seguinte, de um lado existia nós os operadores seres de pouca inteligência apenas programados para exercer a função e do outro a vítima, a pessoa endividada que era obrigada a nos ouvir, nesse intervalo de tempo entre as muitas ligações tínhamos o direito de tirar uma pausa de 15 minutos para comer um lanche rápido, digo engolir a refeição como se fossemos animais ávidos por um alimento, o microondas era utilizado no refeitório para tal fim, porém muitas vezes não era isso que acontecia porque muitos o utilizavam não para esquentar os lanches, mas sim as famosas marmitex, "as quentinhas", o que fazia com que ficasse uma fila imensa, então nessa hora era usar a estratégia porque 15 minutos passavam rápido e se você se atrasasse eles descontavam do seu salário então pegar um lanche frio aqueles que não precisa esquentar e com o que sobrava de ponto das máquinas de lanche conseguir pegar um suquinho de caixinha, ah alias, não pense que o vale lanche era muita coisa, era no máximo uns 5 ou 6 reais, então não espere poder repetir o lanche até porque o tempo também não dava, engolir o lanche em seco e voltar para atender uma fila de clientes que o sistema mandava, eram muitos clientes vocês não tem ideia, era como se fosse uma meltralhadora, terminava de falar com um e já vinham uns 100 atrás se se você se atrasasse logo seu supervisor estava na sua mesa para entender o que estava acontecendo com você e porque você estava segurando aquela ligação por tanto tempo, bom, para não prolongar esse post no próximo capítulo dessa série falarei dos supervisores, da qualidade, monitoria e dos intermináveis aborrecimentos que os "peões" do telemarketing tem que passar.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
O começo na empresa de Telemarketing
Ouça a versão áudio acima...
Saudações estou começando esse blog alternativo porque me veio a inspiração de escrever para relatar as vivências que tive nas empresas de Telemarketing, isso me veio mais com o objetivo de ajudar as pessoas para que elas saibam que estão entrando em um caminho meio difícil de se largar e logo vocês saberão.
O aluno formado no ensino médio que não teve nenhuma vivência com o mercado de trabalho, procura por emprego, mas não encontra devido ao fato de não ter experiência, não tem uma boa faculdade e ainda por cima é pressionado pelos pais e pela sociedade para agir rápido, porém o que acontece é que as regras fora da escola são outras, tudo muda em um piscar de olhos os tímidos e os fracos serão descartados e por quê? Porque isso faz parte do grande "teatro" para selecionar os fortes dos incapazes, aqueles que percebem a malícia de ser apenas o gado que segue o seu boiadeiro ou os que tomas suas próprias decisões. E como a sociedade funciona? Você já deve ter notado que tudo parece ser meio que programado pelo sistema, quer dizer o cara não decidiu que vai dirigir caminhões a vida toda, simplesmente as coisas vão acontecendo de maneira "espontânea", ninguém quer ficar a vida toda trabalhando limpando banheiros, pegando lixo, sendo açougueiro, não que não sejam profissões dignas, mas acontece muitas vezes que as situações são forçadas, imagine que por motivo uma natureza que se desconhece o agricultor decide parar de produzir para a sociedade o alimento e decide simplesmente seguir por outra vertente, imagine que cada pessoa do nada comece a pensar com clareza e seguir o caminho que realmente gostariam, a sociedade teria uma grande revolução. O telemarketing, call center ou contact center como para muitos é conhecido pareceu a princípio ser uma área bastante sedutora por não exigir experiência e por ter a idade mínima de 18 anos, o rapaz de classe C com poucos recursos e quase nenhum dinheiro no bolso, que acabou de pegar sua reservista do exército brasileiro decide "arriscar", quer dizer o que se tem a perder é apenas uma profissão como qualquer outra, o salário é pouco, mas é isso ou ficar desempregado e contar com a boa vontade de algum ex-colega de escola, amigo ou parente que te "indique" ou famoso "QI" tão raro e tão cobiçado, poucos vão querer por a "mão no fogo" por alguém e correr o risco de manchar sua reputação por outro, então de alguma forma é necessário começar por algum lugar não é verdade?
Se você é tímido, não gosta de estar perto de multidões ou o simples fato de se apresentar para um grupo mínimo de pessoas já o deixa em pânico, tenho péssimas notícias para você, até no Telemarketing você vai precisar se levantar e dizer em poucas palavras para pessoas que você nunca viu na vida quem você é, de onde veio e porque deseja ser contratado por tal empresa, obvio que você não tem o mínimo interesse de estar ali e muito menos de compartilhar informações com essas pessoas então você simplesmente mente e diz coisas que o entrevistador adoraria ouvir, você faz um teste de dicção para avaliar se você tem a capacidade ler textos e dizê-los de maneira audível através de um telefone, faz uma provinha com questões de português, matemática, raciocínio lógico, não chega a ser um FUVEST, se o processo seletivo for chato você ainda tem um segundo dia de entrevista, mas isso é difícil já que muitas vezes no primeiro dia é feito tudo e você fica sabendo logo a resposta. Quando termina você sente aquele alívio, "cara que máximo consegui um emprego, finalmente vou poder pagar uma faculdade, vou pagar minhas contas e ajudar minha família", calma jovem cada coisa de uma vez também não é assim, muitas pessoas quando ingressam no telemarketing ou que conseguem o seu primeiro emprego desconhecem os "tributos", sim meu caro amigo achou que ia ser fácil assim, você tem que pagar impostos ao Estado e por consequência a empresa também tem que arcar com os gasto, o INSS, Sindicato, desconto de plano odontológico, plano de saúde, vale refeição, entre outros gastos que eles desejarem e quando você vai ver no final de todos os descontos sobram míseros reais que na maioria das vezes mal dá para pagar a conta de luz e telefone de sua casa e pouco sobra pra se alimentar.
No próximo post falarei sobre o começo das dores de cabeça e dos aborrecimentos...
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